Fissuras e trincas: causas, consequências e recuperação

As fissuras e trincas em edificações podem resultar de movimentações estruturais, variações térmicas ou falhas construtivas. Sua prevenção depende de projetos e execução adequados, enquanto a recuperação requer diagnóstico e soluções corretivas; entenda

As fissuras e trincas representam indícios claros de que algo não está adequado em uma edificação. Identificar seus padrões é fundamental para chegar a um diagnóstico preciso. Se em alguns casos elas possam parecer inofensivas ao olhar do observador leigo, as fissuras e trincas são sinais de várias causas.

Entre as principais causas de fissuras, podemos citar:

  • Movimentação térmica diferencial entre materiais distintos;

  • Movimentações higroscópicas;

  • Atuação de sobrecargas em estruturas de concreto armado e/ou alvenarias;

  • Deformabilidade excessiva de estruturas de concreto armado;

  • Recalque de fundação;

  • Retração de produtos à base de cimento;

  • Alterações químicas dos materiais de construção;

  • Expansão térmica do revestimento;

  • Retração de produtos cimentícios.

Segundo a NBR 13755, as trincas e fissuras podem ser definidas desta forma:

Fissura: “Seccionamento na superfície ou em toda a seção transversal de um componente, com abertura capilar, provocado por tensões normais ou tangenciais. Podem ser classificadas como ativas (quando a abertura varia em função de movimentações higrotérmicas ou outras) ou passivas (quando a abertura permanece constante).”

Trinca: “Termo de uso coloquial para designar fissuras com abertura maior ou igual a 0,6 mm.”

Dentre as principais consequências das fissuras e trincas, podemos citar:

  • Infiltrações – facilitam a entrada de água, desencadeando processos patológicos;

  • Prejuízo estético e patrimonial – comprometem a aparência e reduzem o valor do imóvel;

  • Risco à segurança – podem causar desprendimento de revestimentos, colocando usuários em perigo.

As fissuras fazem parte do sistema construtivo e sua aceitabilidade depende de limites normativos e do contexto em que surgem. Mais do que a abertura, a localização e a causa são determinantes, e a terminologia adotada em laudos — fissura, trinca ou fenda — deve ser clara. O mapeamento gráfico auxilia na identificação de padrões, especialmente entre estrutura e vedação, lembrando que um mesmo padrão pode ter origens distintas. As fissuras ocorrem quando as tensões superam a resistência do elemento, sempre em direção perpendicular aos esforços, funcionando como sinais do comportamento estrutural. A compreensão dos mecanismos de degradação -mecânicos, físicos, químicos e biológicos- é essencial para identificar causas, e diagnósticos não devem ser superficiais, já que uma foto isolada não substitui a investigação detalhada. Além disso, é preciso considerar a influência da temperatura, que provoca variação da abertura, aumentando em dias frios e diminuindo em dias quentes.

As fissuras não devem ser vistas apenas como imperfeições superficiais, mas como sintomas de problemas estruturais ou de desempenho. Compreender seus mecanismos e implicações permite diagnósticos mais assertivos e soluções eficazes, garantindo maior durabilidade e segurança às edificações.

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Fontes:
Site: https://www.orcafascio.com/papodeengenheiro/patologias-das-construcoes
Livro: Trincas em Edifícios – causas, prevenção e recuperação / Ercio Thomaz