Pesquisa aponta: BIM avança nas obras, mas para maioria ainda é novidade

Mais da metade dos profissionais de Engenharia, Agronomia e Arquitetura segue na fase inicial de aproximação com a metodologia

Enquanto a construção civil brasileira já discute inteligência artificial, gêmeos digitais e outras tecnologias como parte da próxima etapa de sua modernização, os dados oficiais revelam que uma parcela significativa do setor ainda está consolidando os primeiros passos dessa transformação. Mais da metade dos profissionais de engenharia, agronomia e arquitetura permanece em estágios iniciais de adoção do BIM (Modelagem da Informação da Construção).

Esse cenário é retratado pelas duas primeiras edições da Pesquisa sobre Digitalização no Âmbito da Indústria da Construção e deverá ganhar novos dados neste mês de agosto, com a terceira edição do levantamento. A pesquisa é realizada pelo Sistema Confea/Crea e Mútua, pelo BIM Fórum Brasil e pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

A segunda edição, realizada em 2024 e baseada em 4.164 respostas válidas, mostra que o BIM já é amplamente conhecido pelos profissionais, mas ainda está longe de ser utilizado de maneira intensiva. Mais de 95% dos participantes afirmam ter familiaridade com a metodologia, enquanto 77,1% percebem impactos positivos de sua utilização. Na prática, entretanto, apenas 33,8% relatam ter realizado algum tipo de experimentação concreta. Outros 56,7% ainda estão na fase de descoberta e aproximação, caracterizada por iniciativas pontuais e sem continuidade.

O cenário também se repete quando são consideradas tecnologias mais avançadas, classificadas pela pesquisa como Tecnologias 4.0, que incluem aplicações de inteligência artificial em atividades como projeto e planejamento. Apenas 38,5% dos profissionais afirmam possuir conhecimento aplicado dessas soluções, diante de 71,1% no caso das Tecnologias 2.0, como o CAD. Entre as ferramentas de inteligência artificial, o projeto assistido por IA e o projeto generativo estão entre as menos conhecidas: cerca de 70% dos participantes dizem não conhecê-las ou ter apenas conhecimento superficial sobre elas.

A pesquisa identifica ainda dois obstáculos recorrentes para a adoção do BIM. O primeiro está relacionado aos custos. Entre os profissionais que se encontram nos estágios iniciais, 43,1% apontam a falta de recursos para aquisição de licenças de software como a principal barreira. O segundo envolve aspectos organizacionais: 86,5% afirmam que as iniciativas de adoção acabam sendo interrompidas, principalmente pela falta de continuidade institucional ou de tempo disponível.

A capacitação também aparece como um dos principais desafios. Nada menos que 99% dos participantes reconhecem a necessidade de formação relacionada à transformação digital. Entre os temas prioritários estão as metodologias de planejamento e gestão de processos de trabalho, justamente uma área associada a problemas recorrentes nos empreendimentos. Segundo a pesquisa, 90,6% dos profissionais relatam desvios frequentes de prazo e orçamento nos projetos em que atuam.

A comparação entre as duas primeiras edições, contudo, mostra avanços. O percentual de profissionais com conhecimento aplicado em tecnologias mais avançadas para a construção civil aumentou de 28,3%, em 2022, para 38,5%, em 2024. Também cresceu a utilização de ferramentas digitais específicas para o setor: a parcela de profissionais que as utilizam passou de 48,3% para 53,4%, fazendo com que o uso dessas soluções alcançasse a maioria dos participantes.

O avanço, porém, ocorre de maneira desigual. A proporção de profissionais em trajetórias tardias de adoção do BIM — aquelas que ultrapassam 12 meses sem resultar em uma aplicação concreta — aumentou de 63,1% para 69,9%. O resultado indica que, embora o contato com as tecnologias digitais esteja se ampliando, uma parcela crescente dos profissionais ainda encontra dificuldades para transformar conhecimento e interesse em aplicações efetivas e contínuas no dia a dia da construção civil.

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Com informações do Confea
Imagem de capa criada com IA